segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Sinto

Subir pra perto do céu
Sentir a força do vento
A sensibilidade da neblina
A vontade da noite
A vitalidade do dia
A delicadeza da flor
O néctar da fruta
A maciez da grama
A correnteza d'àgua
As energias vibrantes
As cores tocantes
E assim...
Sentir,
O aconchego dos braços
Afagos e beijos
Esse amor que toca por inteiro
Soa melodias apaixonadas
E tocam sempre que te sinto
Sentir,
Te sinto como os elementos naturais
Como as forças sobrenaturais
Nos itens que me compõe
Na esperança que se constroe
E é sempre assim
Quando te sinto.

Leticia Duns

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Querido Amigo L, R.A.E - 1969


Querido amigo, senti vontade de dizer-te quanta paz tua paz me transmite e de quanta esperança um sorriso teu me enche o peito.

Certa vez, uma vontade de igual tamanho cercou minha mente, mas tu não estava por perto para que minhas poucas palavras pudessem ditar meus pensamentos vagantes à tua eterna procura. Era noite e, deitado em minha cama (essa que a mim é eterna) olhando para o teto (este que que me é tão baixo), via letras flutuando pelo ar e formulando ora palavras avulsas, ora frases aparentemente sem nexo mas que, desde aquele momento, minavam de meu corpo.

Se de palavras a esperança se compõe e de tu me vem tais palavras, não é ousadia minha dizer que tu, oh composição perfeita, és poesia livre em meu mundo, mente, corpo.

Mas se minha mente lança-te ao ar de meu teto tão embaraçosa e indecifravelmente, concluo que tu, oh palavra mandante és senão, fruto deste meu corpo doentio que se desfaz sem o teu. É lamento neste quarto que a projeta sem decodificações, é murmúrio quando nota que as palavras são mudas, o negrume do quarto é translúcido e a intenção é cega.

Senti vontade de dizer-te quanta paz teu silêncio mórbido transmite e quanta esperança tua alma viva me enche o corpo inerte.



Leticia Duns

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

2° Prêmio BlogBooks



Pessoal, estou concorrendo ao 2° Prêmio BlogBooks onde, meu blog pode virar um livro eletrônico. Conto com a colaboração para divulgação e voto de todos de vocês !

Clique Aqui para registrar seu voto.

Muito Obrigado
Leticia Duns

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Haicai

Sobre a sombra no telhado
O pássaro pousa
E o telhado voa.

Leticia Duns

domingo, 15 de agosto de 2010

Personagem

Quando o fiz, entreguei-me por inteiro
Vejo que agora falta-me empenho
Nem lhe vejo ou lhe quero por perto
Suponho que tenhas sentido
Essa minha falta de alma nas presenças
Ou então essa falta de sentido nas palavras.
Gosto quando entende
Que não pode entender meus significados
Nem meus sentidos de direção
[Se é que eles existem]
Fato é que entreguei-me mas não o quero
E sabes que não lhe criei por vontade
Apago-lhe de minha mente agora
Pois necessito de um pouco mais de espaço
Nessa minha cabeça vaga.
Adeus velho personagem
De descrença e decaso
Agora aqui [não em mente, sim coração]
Habita plenitude e paz
Não lhe convem espaço.


Leticia Duns

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Ipês

O Ipê amarelo
Surge pela janela
Sua cor ofusca o olhar
Colore a calçada
Com suas flores caídas
Riqueza sem par



O Ipê roxo
Abre o caminho
Com delicadeza de moça
E flores doces
Que sorriem com beijos
Amor e carinho




O Ipê branco
Revitaliza o viver
Eleva o espírito
Renova idéias
Limpa impurezas
Surge com Paz e Serenidade



Os Ipês
Plantados em solo inconsistente
Brotam suas flores
E realçam a vida
Colorem a visão
E amaciam o coração.

Plante, cultive e aprenda
A semente do Ipê
Está aí para ser utilizada
Já plantou a sua no coração?
Descubra o cultivo
E sinta as emoções.


Leticia Duns

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Dentro de mim


Basta aprofundar seu olhar
Dentro do meu coração
Verá a verdade estampada
Em tons fortes e vibrantes
Que impulsionam meu amor
A realidade é que essa vontade
Me consome, me devora
Me aliena à você
Então deixa disso e sinta a força
Sinta a intensidade que vibra em mim.
Ao simples olhar aflora mais essa sensação
É inacreditável o que você provoca
Nem nas mais complexas palavras sei explicar
Acredite, acompanhe, sinta
Não é hipocrisia minha
Vamos explorar juntos essa aventura
Revira e me faz mostrar esse sentimento
Venha explore mais profundo
Ouça essa música que soa
Na profundeza do meu coração

Leticia Duns

terça-feira, 27 de julho de 2010

E o tempo parou

E o tempo parou
E as coisas aconteceram
E as pessoas repararam
Que na verdade a vida parou.
Parou na rotina do fazer por fazer
Na tristeza de errar sem aprender
Na dor da contrição sem se arrepender
Na angústia de falar por falar.
É a vida parou
Ninguém fez nada para alterar
Nínguém quiz mudar
Ninguém se preocupou.
É a vida está parada.
Até que vejamos nosso verdadeiro ser
E reparamos nosso verdadeiro valor
E encontremos nas atitudes
A corda para o relógio da vida.
Seja você a fazer o diferencial
Não pela inercia do tempo dos outros
Mas pela vitalidade do seu tempo
Faça o ritmo da sua vida.

Leticia Duns

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Aquela criança



Tirei inspiração das pessoas na rua
Suas atitudes, suas maneiras
Observei o modo de caminhar
De falar ao telefone, de correr para pegar o ônibus
No meio de tanta observação
Um sorriso ofuscou meu olhar
Aquela criança trazia consigo
O sonho de tudo melhorar
Num gesto simples quiz capturar sua esperança
E transpassar para mim
Somente consegui imobilizar
Este momento aqui
E lembro da aurora da minha meninice
Quando tive esperança
Mas tornei-me adulto incrédulo
Pois conheci a vida, corrompeu a magia
Que tinha como aquela criança.

Leticia Duns

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Sem definição


A verdade é que o amor não cabe somente em mim,
não cabe somente em ti,
Não cabe a ninguém que seja denominado ser humano.
Ninguém pode senti-lo em todas suas propriedades
e quem disser que pode
Estará traindo seus princípios e sentimentos mais variados
Indo propriamente contra o que é o amor em si.

Leticia Duns

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Não há crime


Tive uma idéia
Como sempre digo: miraculosa
Vamos sair sem se preocupar com a volta?
Não quero negativas
Aceite a proposta
Vamos simplesmente caminhar à toa?
A luz da lua a iluminar
O que não terminará,
Espero que não, pelo menos agora
Pare de besteira
Venha, desenvolva comigo essa idéia
Não quero saber as consequências
Não pense no depois
Venha comigo agora
Não haverá testemunha
E sem elas não há crime
Comigo, nunca tenha medo.
Leticia Duns

terça-feira, 13 de julho de 2010

Cabeça Viajante

Tento desta vez expor sentimentos vagos
Que viajam na minha cabeça
Como borboletas livres
Tão livres que fogem ao tentar colocar no papel

Por isso me sinto tão solta
Não vou me prender à belas palavras
Nem preocupar-me se soam bem
Apenas serão eu e meus pensamentos

E aí do outro lado
Um bom leitor entenderá minhas entre linhas
Meus por quês
E sentirá à flor da pele meu prazer de escrever.

Leticia Duns

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Jardim Solitário

Flor corroída
Ácido vento que lhe soprou
Pétalas incompletas
Terra que veneno brotou
Folhas com vísceras
Chuva não levou
Orvalho pairado
Nem de ti cessou
Jardim solitário
Flor corroída sobrou
Leticia Duns

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Acordei Assim

Uma saudades que apertou e lhe gritou
Chamou e te procurou ao meu lado na cama,
Não estava...
Saudades que sentiu-se repentinamente abraçada
E por ti acariciada
Tocada pelos apaixonantes beijos
Delicada mão ao rosto.

Percebeu que nada mais que sonho
Lhe era aquele momento
Imaginando algo que nem ocorrera
Mas em breve lhe virá
Paixão sonhadora
Então nas nuvens de teu corpo instalou-se
E ao acordar continuou sonhando,
Realizada de seus desejos.

É, essa noite foi assim,
Com você abraçada dormi
Com você ao meu lado acordei,
Um beijo doce...
E apertadamente,
Envolveu-me em seus braços
E percebi que acordada estando,
Esse sonho me faz amar sem dimensões.

Leticia Duns

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Sol

Poema por Tiago Costa.

O Sol radiante
Em meus olhos
Vislumbra, hipnotiza, encanta

Seus raios intensos
Infiltram em meu ser
Trazendo o calor
Que tanto esperei

As vezes pego-me questionando
Será real?
Apenas um sonho?

Quero apenas sentir
Deixo as dúvidas e questionamentos
E aprecio o nascimento
Dessa luz que me faz sorrir.

Tiago Costa

sábado, 26 de junho de 2010

Artesanato- Minhas Criações

Olá queridos, hoje estarei aqui ao lado em Artesanato... Passem por lá, vale a pena dar uma espiada. Abaixo link.

Artesanato- Minhas Criações

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Pés- Parte II


Rita anda em direção ao abismo entre morte e vida, Catarina a segura pela mão e a conduz para suas então certezas. Quer Marcelo, sente frio e o aperto no peito lhe prende a respiração. Mergulha em sua memória às vezes em que fitava os olhos de Marcelo e se perdia na cor opaca e sem brilho que transpassava além dela como se nada estivesse em sua frente. Pusera-se a pensar em remotas vezes em que vira brilho naquele olhar, espantara-se ao relembrar que apenas uma vez dentre inúmeras felicidades o identificara no ocular de Marcelo.

Sim, fora no dia de teu casamento, Catarina sempre observara ao longe as decisões tomadas pelo então jovem casal, e opusera-se a todas elas com fervor e entusiasmo. Acreditava que destino não existe e que ela poderia finalizar todo e qualquer indício de permanência eterna daquele e de outros matrimônios.

Lembra-se Rita que em seu dia de núpcias Marcelo depositara nela toda sua felicidade, assim como se a tivesse transferido como forma de mantê-la segura, para que não escapasse jamais. Foram felizes naquela noite. Juntos somente naquela noite.

Eu sempre quis roubar-lhe para ser em parcela, feliz. Rita nunca soube de minha essência e não conhece meu ser, mas Marcelo já sabia desde então minhas intenções e propósitos, lhe era bem claro os meus desejos e anseios.

Estou vendo Catarina, se aproxima de mim com ardência e pressa, noto sua insípida respiração ofegante. Zomba em meu ouvido sua força e comando voluntários. Aproxima-se cada vez mais e a sua velocidade aumenta. O gelo que me sobe até a nuca confirma que sua presença é impiedosa e desprovida de insegurança. Tem traçado seus planos a muito e não se opõe com a idéia de destruição familiar que poderá causar. Impulsiona minha bicicleta com singular força em direção a pista contrária e já não vejo mais nada. Somente a imagem nítida de Rita projeta-se em meu semblante e aos poucos escurece como se houvesse adentrado um vale de sombras.

Noite de 25 de julho de 1998

Todas as noites, mesmo nas quentes, acordava cerca de três vezes inclusive de madrugada para ir ao banheiro, beber água e olhar para os pés de meu marido. É certo que a ida ao banheiro e a sede repentina e costumeira era apenas um pretexto para observar seus pés. Sim, você pode pensar que sou daquelas admiradoras fanáticas por pés bonitos, mas, não era a razão de tal estranha observação.

Nesta noite não acordei, e dali em diante meus despertares não foram os mesmos. Ainda acho que estou dormindo, mas Catarina me lembra que não. Ela o levou e me levará também, ela sim é fascinada por pés e todas as noites vêm olhar os meus, os seus e de todos. Podem observar.

*Vem sem cheiro, sem sublevar, sem presença, mas nota-se.
Toma em suas garras de gélido abismo infindável
O suspiro absorto e ilusório que nos perpetua neste plano
Utopicamente caucionando alma desobstruída.


* Últimos versos extraídos do poema "Medo do Medo da Morte" de Leticia Duns.

Leticia Duns

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Pés - Parte I


Todas as noites, mesmo nas quentes, acordava cerca de três vezes inclusive de madrugada para ir ao banheiro, beber água e olhar para os pés de meu marido. É certo que a ida ao banheiro e a sede repentina e costumeira era apenas um pretexto para observar seus pés. Sim, você pode pensar que sou daquelas admiradoras fanáticas por pés bonitos, mas, não era a razão de tal estranha observação.

Agora quem vos fala é Catarina, à frente apresentarei-me.

Marcelo homem dedicado que é, sempre acorda antes mesmo do galo cantar, faz seus afazeres domésticos juntamente com sua esposa e sai para a vida. Cuida da chácara do Sr. Rubens a dois anos e meio e tem uma ótima relação com seus vizinhos afinal os amigos ocupam-lhe o espaço onde fica a saudade de sua família (mãe, pai e irmãos) que estão longe a algum tempo.

Vida corrida de capinagem, plantação e vigia, volta para dentro de casa somente à noite onde sua esposa lhe aguarda para o jantar, depois conversam sobre a quietude do lugar em que não se acostumaram a residir ainda e, depois de longo papo regados a risos e carinhos vão dormir afinal, o galo canta mais cedo que o habitual naquele lugar.

Manhã de 26 de julho de 1998.

Rita sempre acorda primeiro que Marcelo, é certo que ele não sabe de suas preocupações, ela não transparece o medo de ter o marido longe, ele é totalmente necessário a ela em todos os sentidos, em seus sentimentos criou um laço de ligação tão forte como se suas almas fossem interligadas e fundidas a milhões de anos. Mas esse é um assunto em que raramente é comentado em suas conversas, afinal Marcelo é descrente de tudo que não pode ver.

Como é de costume, ele acorda cedo e faz o café preto que lhe mantém acordado durante o dia todo. Ela acorda e vai até a padaria de esquina comprar pão. Tomam café tranqüilos e conversam sobre o que vão fazer durante o dia.

Marcelo pega sua bicicleta e vai até o depósito de materiais de construção no centro da cidade comprar parafusos para arrumar um velho armário na casa do Sr. Rubens.

Ao passar pela porta para acompanhar com o olhar o marido indo em direção a porteira da chácara, Rita sente um leve e suave sopro no pescoço que a faz certificar-se de que está sozinha em casa. Surge então uma sensação de que Marcelo esqueceu alguma coisa em casa antes de sair. Começa a procurar pelos cômodos algo que ele pudesse ter deixado para traz. Não encontra nada, ainda assim aquele sentimento de esquecimento a apavora de tal maneira que a obriga a correr até a entrada da chácara, olha para todas as direções e perde o olhar na estrada de terra que segue longe onde não se pode ver fim de onde está.

Rita ouve uma voz susurrar-lhe ao ouvido: - Marcelo esqueceu você...

Marcelo esqueceu Rita. Não a levou com ele, deixou-a em casa para receber as notícias. Alguém precisava recebê-las.

Sentada na porta de casa ficou esperando o marido chegar para o almoço. Uma, Duas, Três horas, Marcelo não volta para casa, e Rita está convicta de que ele a esqueceu. Não sabe qual passo dar afinal sua necessidade dele gritava e estagnava suas ações.

Eu Catarina, fico a observar este olhar perdido e esperançoso de Rita e machuco seus sentimentos com a incerteza. Não tenho remorso por estas e outras atitudes afinal sou dona de seu destino e não obstante, de seu marido também.

Ao levantar-se da velha cadeira em frente a casa, Rita nota uma pessoa correndo desesperada em sua direção ofegante e engasgada com palavras que precisavam ser ditas de imediato. Naquele momento tomei por corpo tal pessoa e lancei aos ouvidos de Rita as notícias inesperadas.

Alma de Marcelo desprendera-se do corpo no momento em que corria a travessia da ponte principal da cidade em direção ao centro. Sua bicicleta inclinara involuntariamente para a direita onde um caminhão tomava destino contrário ao seu. Sim, fora atropelado, não se despediu de Rita, foi embora sem ela.

Aguardem Segunda Parte.
 
Leticia Duns

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Reabertura Blog em 16/06/2010

Queridos leitores...

Na quarta Feira (16/06/2010) voltarei a postar aqui no Descobrindo depois de sua total reforma.
Não percam, inauguração da nova arte de abertura feita especialmente para essa nova fase e pensada em todos os aspectos para trazer boas energias aos leitores.
Enquanto isso, uma prévia da arte está aí acima apenas para deixá-los curiosos...

Arte de abertura: Tiago Costa

Beijos e até quarta !

Leticia Duns.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

...


Reticências para ser infinito
Compêndio do que trago
É resenha do passado
Infindável o futuro
Saudosa a lembrança
A razão humana não pode explicar
Reticências para ser infinito...

Leticia Duns