sexta-feira, 20 de abril de 2012

19/04/2012


Os cachorros estão latindo lá fora
Eu observo a noite pela janela
Tento entendê-los (a noite e os cachorros)
Mas a sonolência me vence.
Aos poucos vou caindo no chão
Adormeço ouvindo cachorros cantando
E sentindo o frio qie a noite sopra pela fresta da porta
Como os entenderia?
Fico imóvel, sem emoçaõ, estático no chão.
Amanhece, esqueço que a noite cantou a solidão.
Percorro o dia... Sem saber já esperando...
Os cachorros latindo, a noite sombria e a sonolência...
Sempre me vencem !


Leticia Duns

terça-feira, 10 de abril de 2012

Voou...

Fez-se de vento
Por onde passou amor
Levou na brisa lisa
Com cheiro de flor
A leveza dessa dor.
Trouxe e leva
Na mesma sensação
Na mesma intensão
A dor do coração
Que fez-se vento
Para varrer a solidão.

Leticia Duns.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Não sou mais quem fui

Existir nas sensações
Andar nas linhas
Descobrir suas rimas
Relembrar emoções

Viver em canção
Em tom
Em qualquer coração
Num caminho de som

Pensei em criar
Rimando idades
Cantando saudades
Decifrando olhar 

Mas acabei cantando
Casa Caiada *
Esquecendo...
Sempre parada.



* Casa caiada é música da banda pernambucana Mombojó.
O título desta poesia é parte integrante da música Casa Caiada.

Leticia Duns

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

1 Segundo

Na fresta que deixou

Um caminho se forma

E a vida deslancha

Uma única via

Sem vida, sem volta

Sem ao menos resposta

Um trilho, meio fio.

Uma linha, sem desvios

Caminho sem espaço

Assim como um lapso

Fica sem mar nem beira

Sem flor e cheiro

Sem ar nem vida

Frio e escuro

Com um fio de luz

Que além, brilha

Mas continua a fresta

Que o brilho tira.

Leticia Duns

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Água Multicor

Olho para o céu cinza de um dia colorido
Penso como seria se tudo isso mudasse
Numa fração de palavras suas.
Sei que isso jamais aconteceria....
Você nunca soube conversar,
e também nunca soube ouvir verdadeiramente.

Mas lembrando de seus lábios falantes
Penso como letras e números lhe escorriam
Boca a fora... Palavras jorradas como água.
Sem valor, sem sentimento e consentimento.

Olhando agora, vejo que não cinza é o céu
De boca e lábios e linguas coloridas.
Mas percebo que é algo que não conheço,
Não desvendo e não quero voar
Nesse céu multicolor de descrença e manipulação.

E termino preferencialmente assim, sem cor.

Leticia Duns.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Lembrança

Quando cai essa chuva fininha
Olho pela janela e lembro.
Quero brincar, correr, pular
Ir na rua andar de bicicleta.
Comprar bala, chiclete, pirulito
Lá na venda do Tião.
Brincar de esconde-esconde
Só para achar a Amanda
Que é sempre a primeira
A ser achada.
Cantar em roda com meus primos
Aquela musiquinha do peixinho.
É mais ou menos assim:
Se eu fosse um peixinho, soubesse nadar
Colocava a Luana no fundo do mar
Se eu fosse um peixinho, soubesse nadar
Colocava a Biu no fundo do mar
Se eu fosse um peixinho, soubesse nadar
Colocava o Jefferson no fundo do mar
Depois que está todo mundo no fundo do mar
Vai tirando um a um, até ficar uma pessoa só
Mais ou menos assim:
Se eu fosse um peixinho, soubesse nadar
Eu tirava a Biu do fundo do mar.
Quando sobra uma pessoa só no fundo do mar, canta-se:
Lixeiro, lixeiro...
O engraçado é que a Luana é sempre o lixeiro.
Quando essa chuva está caindo
Fico lembrando...
Estamos brincando de casinha
E prometemos para o Jefferson
Que a gente ia brincar de carrinho e bolinha de gude
Só para ele brincar de casinha com a gente.
Depois da casinha, a gente fugia para não brincar
Dessas brincadeiras de menino.
O Jefferson é o único menino
No meio de tantas meninas.
Ele está com muita raiva.
É legal quando a gente vai na rua
Jogar vôlei e futebol
Andar de bicicleta e de patins
Um par de patins para nós 5.
É engraçado.
Escalar os muros da casa da vó
Fazer bagunça na sala assistindo televisão
E comendo bolinho de chuva ou pipoca.
Bom mesmo, é se divertir
No balanço improvisado.
Tio Marcos, César, Isaías, Saulo
Quando o balanço quebra
O primeiro tio que aparece arruma para a gente.
E a bagunça começa novamente.
Quando essa chuvinha caí
Às vezes nos escondemos na casa da vó
Para brincar de escolinha
A Dani e a Ednice adoram ser professoras
E a gente aprende com elas.
Nesses dias de chuva, às vezes
Sentamos no chão e ficamos pintando
Revistinhas de desenhos com canetinha colorida
Que a Amanda trouxe da casa dela.
É o máximo. Cada qual pintando sua princesa.
E se vendo, princesa.
Só é ruim mesmo
Quando a chuva fininha começa
E a gente sai correndo
Cada um para sua casa.
E fica olhando pela janela.
Esperando o último pingo de chuva cair
Para sair no quintal e começar tudo de novo.
Quando cai essa chuva fininha
Adoro ir para a primeira janela que vejo
E olhar lá para fora, esperando a última gota cair
Por que sei que quando isso acontecer
A sensação que terei é aquela
Que sentia quando saía correndo para o quintal
Para começar tudo de novo !!!
Começar a se divertir
Começar a sorrir
Começar a ser sempre feliz
Como uma criança...

Leticia Duns

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Relembrando

Ás vezes é preciso largar a vaidade
Largar os erros e medos
Falar e enfrentar
Deixar para depois os desatentos

É preciso deixar de ser fraco
De recair por besteira
De magoar com silêncio
De deixar sem palavras

É preciso sair de si e entrar noutro
Entender o que se passa do lado de lá da rua
Sentir as palavras por outro ouvido
Calar a insegurança e dar outro sentido.

Às vezes é preciso, para mudar
Para saber que somos pequenos
Que somos puramente sentimentais
E para relembrar que....

Vivemos da expectativa do outro. Sempre.

Leticia Duns

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Canção

Se parar no infinito da saudade
E pensar que está perpetuando,
Se pensar que amar demais é provar
E achar que está perdoando,
Tente lembrar que vida é tudo.
Tudo que move e anda
Corre, circunda e muda.
Muda de cor e sentido,
Transforma saudade em poesia
Transforma amor em melodia
Transforma conceito em linha
Certezas em escultura vazia.
Saudade é pra quem tem (*)
Amor é para quem doa
E o meu, dou-te mais uma vez. (*)
(*) Trechos extraídos da música "Meu amor é teu" de Marcelo Camelo.

Leticia Duns

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Escritor Desesperado

Nada para ler
Nada para falar
Nada para ver
Nada para escrever.


 Nada. Simplesmente nada
Andei, busquei, observei
Nada...
Nada desse tudo me satisfaz
 

Nada disso me orienta
Nada me sustenta
Tudo é falta
Desapego.

Tento escrever sobre o nada
Por que nada é o que leio,
Nada é o que falo
Nada é o que vejo
Nada é o que escrevo...


Leticia Duns

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Infância

Encontrar no brilho de uma estrela
Algo perdido que não quer se achar
Com formas e cores inimagináveis
Com cheiro e sabor de infância.


Ah, a infância
Faz parecer que é fácil
Faz imaginar o que não existe
Faz viver pelo passado
Querendo ser futuro.


 Futuro de estrela assim
Sem encontrar uma fresta de luz
E ainda assim se achar brilhando
Para quem lhe contempla
Na escuridão de uma noite silenciosa.


Silenciosa infância de estrela.
Perdida.

Leticia Duns


quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Sons

Na ansia, na sede, na fome
Sem rumo, sem linhas nem nome

Estou na espera da gota cair
Estou rezando pro santo fugir

Sem garra, sem poses nem marras
Esperando, falando, gritando.
Estou fingindo ouvir suas guitarras
Estou sabendo, tanto que garanto.

Estou sem você nem eu
Estou sem eira nem beira
Estou esperando um beijo seu
E que assim sempre me queira.

Leticia Duns

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Música

E apenas ouvir...
Fechar os olhos e sentir
A voz sorridente canta, encanta
Emociona.
Quem canta?
A luz que emana
E torna tudo amor
Do amor, gratidão
Da gratidão, emoção
Da emoção?
A sensação se ali estar
E sentir assim... De olhos fechados
A alegria e o sorriso
De quem tem muito a cantar
Para quem tem muito a ouvir !

Poema escrito inspirada no Pocket Show de Bruna Caram.

Leticia Duns

Bruna Caram - Palavras do Coração



Olá pessoal!

Bom, ontem fui ao Show de uma cantora super talentosa, surpreendente, encantadora e iluminada.

Bruna Caram me emocionou em seu Pocket Show na Fnac Pinheiros e confesso, fiquei com gostinho do quero MUITO MAIS...

Ela encerrou sua apresentação com uma linda música digna de chave de ouro, abaixo a letra, vejam que linda! Aiiii como estou inspirada hoje !!!

Palavras do Coração - Bruna Caram

São sorrisos largos
Lagos repletos de azul
Os corações atentos
Ventos do sul
São visões abertas
Certas despertas pra luz
A emoção alerta
Que nos conduz
Sonhos aventuras
Juras promessas
Dessas que um dia acontecerão
Você me daria a mão?
Todos estes versos soltos dispersos
No meu novo universo serão
Palavras do coração

Os artifícios
Vícios deixando de ser
Os velhos compromissos
Pra esquecer
São pontos de vista
Uma conquista comum
O mesmo pé na estrada
De cada um
Sonhos aventuras
Juras promessas
Dessas que um dia acontecerão
Você me daria a mão?
Todos estes versos soltos dispersos
No meu novo universo serão
Palavras do coração.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Essa tal de Inspiração


Longos tempos sem inspiração, mas ela resolveu me visitar hoje e deixar de presente uma poesia...

E não é que gostei?

Espero que gostem do presente que a inspiração me deixou e recebam dela um lindo presente também.

A poesia  "Apenas Espere"  reabre o blog Descobrindo Um Novo Ser depois de tanto tempo sem postagem !

Deliciem-se e deixem as palavras fluirem .


Leticia Duns.

Apenas Espere

Estava tudo distante,
Mas não pedi que esperasse
Nem que ficasse,
Muito menos que fosse.

Não pedi que esperasse força
Pois o coração é vulnerável às emoções
Não pedi que esperasse meticulosidade
Pois a mente é imensidão de caminhos desconhecidos
Não pedi que esperasse conhecimento
Pois o ser se conhece um pouco a cada dia

Só espere que eu volte
E deixe a esperança em seu coração
E percorra seus caminhos
E te conheça cada vez mais

Assim...
Só espero que me espere
Mas de mim...
Só espere que eu volte,
Um dia...

Leticia Duns

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

E o Amor Ainda Vive.


          Foi besteira pensar que se houvesse alguém para esquecer que seria você, foi distúrbio dizer que esquecer faz-se mais fácil quando se está longe pois distante é que se observa os detalhes antes despercebidos e a saudade aperta que até sufoca. É de drama que se faz um amor que se desfaz, e se desfaz fingindo desfazer... Grande enganador é esse amor... Enganador dos bons... Engana-se a si mesmo para não sofrer de si e vendo-se sofrendo, se entrega às lágrimas que não trazem o que se quer, apenas sufocam um amor que quase sem ar vive... Mas ainda assim vive...

Leticia Duns

Te necessito

Eu quero, gosto e sinto

Eu quero realizar-te

Gosto de olhar-te

Sinto amar-te

Quero esse pedaço seu
Aqui comigo
Gosto desse aroma seu
Misturado ao meu
Sinto você sempre
Do meu lado

Eu quero você
Ontem, hoje e que seja agora
Que seja amnhã
Ou no ano que vem

Eu quero
Pura e simplesmente
Você aqui.

Eu quero, gosto e sinto.

Leticia Duns

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Filosofia

As coisas nunca se repetem, somente as palavras.


Edemir Fernandes Bagon

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Espelho

Uma leve bruma quente-fria
Toca-me levemente
Tão suave que a senti
Em seus mistérios me cobrir.

Leve bruma quente
Que me toca e diz
Leve à frente
A esperança que reluz

Leve bruma fria
Anda e lamenta
Foi-se anteontem
Dizer que me desfiz

Leve bruma quente-fria
Deixa-me entre um e outro
Entre equilíbrio e confronto
Passos e espasmos

Fria-quente leve bruma
Escura transparência
Desfia os vestidos
E leva a descrença

Bruma... Leve fria-quente
Costura o caminho
De cordas e labirintos
Em suas malhas puras.

Bruma ...
Em tecer me faz perder
Em perder me faz andar
Ao andar, faz se jogar...

Na leve bruma quente-fria.

Leticia Duns

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Você

Uma parte de mim
Torna- se meu inteiro,
Sem reações se entrega
E de ti é prisioneira
Essa vontade e anseio
Procura- o por perto
E sente sua imagem,
Sua presença,
Seu carinho, seu cheiro...
Vem daqui de dentro,
Sua fórmulas,
Magias e encantamentos
E de mim brota
Essa parte tua
Que torna- se meu inteiro
Inteiro amor por ti !

Leticia Duns